Da ideia solta ao plano que a IA executa
Quatro comandos numa conversa só. No fim você tem uma especificação e uma lista de tarefas fatiadas, cada uma com o que entrega e de quem depende. Aí é só mandar a IA executar uma por vez.
A cadeia inteira
Instalar as skills
Um comando no terminal e um /setup na pasta do projeto. Só na primeira vez.
/grill-me
A IA te entrevista em rodadas até não sobrar decisão em aberto. Nada é gravado, tudo fica na conversa.
/to-spec
A conversa vira uma especificação com problema, solução, histórias de uso e o que fica fora.
/to-tickets
A especificação vira tarefas, cada uma entregando algo funcionando e declarando de quem depende.
/implement
Uma tarefa por sessão, com contexto limpo. É aqui que a IA passa a trabalhar sozinha.
No meu uso, da ideia até as tarefas prontas dá mais ou menos vinte minutos. A execução vem depois e leva o tempo que precisar.
As duas regras que fazem isso funcionar
Entrevista, spec e tarefas na mesma conversa
Sem /clear e sem /compact até o /to-tickets terminar. Cada comando consome o que ficou na conversa. Se você limpar no meio, o próximo passo trabalha no escuro.
Na execução, uma tarefa por sessão
Aí sim /clear antes de cada uma. Cada tarefa é autocontida, então contexto limpo ajuda em vez de atrapalhar.
O que você precisa antes de começar
Nunca usou o Claude Code? Instale primeiro pelo guia oficial da Anthropic em docs.claude.com e volte aqui.
Crédito: as skills deste playbook são de Matt Pocock, publicadas em github.com/mattpocock/skills. O que é meu aqui é a ordem de uso e o que conferir em cada passo.
Instalar as skills uma vez só
Uma skill é uma instrução salva que vira comando dentro do Claude Code. O comando abaixo baixa as oito que a cadeia usa e liga na sua máquina inteira, não só numa pasta.
npx skills add https://github.com/mattpocock/skills --skill setup-matt-pocock-skills --skill grill-me --skill grilling --skill to-spec --skill to-tickets --skill implement --skill wayfinder --skill ask-matt -g -a claude-code
Depois de instalar
Abra o Claude Code na pasta do projeto
Pode ser uma pasta nova e vazia. É ali que o plano vai ficar gravado.
Rode /setup-matt-pocock-skills
Ele pergunta onde guardar as tarefas. Se você não usa GitHub Issues, escolha markdown local: o plano sai como arquivos .md numa pasta .scratch/ do projeto. Sem esse passo, o /to-spec e o /to-tickets param e pedem o setup.
Confira
Digite / na conversa. Se /grill-me aparecer na lista, está tudo certo.
Dois detalhes que economizam dor de cabeça
A entrevista vem em duas partes
A grill-me é só um atalho: quem faz a entrevista é a grilling. Por isso as duas estão no comando. Instalar só a primeira deixa o comando sem motor.
Se preferir instalar como plugin
Dá para usar claude plugin install mattpocock-skills@claude-plugins-official. Nesse caminho os comandos ficam com prefixo, tipo /mattpocock-skills:grill-me. Escolha um caminho só: pelos dois, cada skill aparece duplicada.
A entrevista que tira a ideia da sua cabeça
O /grill-me não responde nada. Ele pergunta. A cada rodada vem um bloco de perguntas numeradas, cada uma com a resposta que a IA recomenda. Você responde, ele recalcula o que ainda está em aberto e faz a rodada seguinte, até acabar.
É o passo que mais dói e o que mais economiza tempo depois. Toda pergunta que você não responde agora vira retrabalho na execução.
Comece assim
Abra o Claude Code na pasta e cole isto, trocando o que está marcado pela sua ideia. Três linhas bastam: o que existe hoje, o que você quer, o que você já tem em mãos.
/grill-me
Quero montar [um sistema de automação para a minha casa].
Hoje: [controlo tudo no braço, em três aplicativos diferentes].
Quero chegar em: [um painel que acende as luzes da sala no horário certo e mostra a temperatura de cada cômodo].
Já tenho: [uma Raspberry Pi parada, lâmpadas inteligentes e um sensor de temperatura].
Como responder
Responda pelo número
"1: sim. 2: prefiro a segunda opção. 3: pode ser a sua recomendação." Não precisa escrever bonito.
"Decide você" é resposta válida
Cada pergunta vem com a recomendação da IA. Aceitar a recomendação é uma decisão registrada, e decisão registrada não volta para te assombrar.
Se você não consegue decidir no abstrato
Peça /prototype: ela monta uma versão tosca só para você reagir. Depois volte para a entrevista.
Acabou quando ele para de perguntar
Não force. Quando a última rodada fecha, o que estava na sua cabeça está na conversa. Siga para o passo seguinte sem limpar nada.
A conversa vira documento
Na mesma conversa, digite /to-spec. Ele não entrevista de novo: pega tudo que já foi dito e escreve a especificação, com um formato fixo.
/to-spec
O que vem e o que conferir
O problema, escrito do seu lado
Se a descrição do problema não for a sua dor, o resto vai junto pro buraco errado. Corrija agora, em uma frase.
As histórias de uso
Linhas no formato "como morador, quero acender a luz da sala às 18h, para não chegar no escuro". Leia como se fosse a lista do que vai existir. O que faltar aqui não vai ser construído.
Fora de escopo
A seção mais importante do documento e a que quase ninguém lê. É ela que segura a IA de inventar trabalho. Se tem coisa que você quer deixar para depois, mande incluir.
Onde ficou gravado
No tracker que você escolheu no setup. Com markdown local, é um arquivo dentro de .scratch/, que você abre em qualquer editor.
Peça correções na mesma conversa, uma por vez. Só siga quando você assinaria embaixo do documento.
A especificação vira fatias
Ainda na mesma conversa, digite /to-tickets. Ele quebra o documento em tarefas e declara quem depende de quem.
/to-tickets
Fatia vertical, não camada
Cada tarefa corta um caminho estreito e completo: do sensor ao painel, não "fazer o banco de dados inteiro". O teste é simples: dá para demonstrar essa tarefa sozinha, funcionando? Se não dá, ela é camada, não fatia.
Ele pergunta antes de gravar
O recorte está no tamanho certo? As dependências são reais? Alguma tarefa deveria ser juntada ou dividida? Responda de verdade: é mais barato mudar aqui do que na execução.
O que cada tarefa carrega
Título, o que entrega ponta a ponta, critérios de aceite e a lista de quem a bloqueia. É o suficiente para a IA pegar a tarefa sem ter visto a conversa.
A ordem já vem resolvida
Os arquivos saem numerados na ordem de dependência. A primeira tarefa é a que não depende de ninguém, e é por ela que você começa.
Aqui acaba o trabalho de pensar
Da ideia solta até esta lista é o que cabe nos vinte minutos. O resto é execução.
Agora sim, execução
Abra uma conversa nova, aponte a primeira tarefa e mande executar. Uma por sessão, com /clear entre elas. Como cada tarefa é autocontida, o contexto limpo ajuda: a IA lê a tarefa e trabalha nela sem arrastar o resto.
/implement
Implemente a tarefa [01] de [.scratch/automacao-da-casa/issues/]. Quando terminar, me diga o que dá para eu testar na prática.
Quando a ideia é grande demais
Tem ideia que não cabe numa conversa. Nesse caso a entrevista não fecha: cada resposta abre três perguntas novas. O sinal é esse.
/wayfinder em vez de /grill-me
Ele monta um mapa das decisões que faltam e trata uma por sessão, sem tentar decidir tudo de uma vez. Não cabe em vinte minutos, e tudo bem: o trabalho aqui é enxergar o caminho.
Depois volta para a mesma cadeia
Com as decisões fechadas, você retoma no /to-spec e segue o playbook normalmente.
Esqueceu qual comando usar
Digite /ask-matt e descreva a situação. Ele diz qual skill serve para aquele momento.
Rodou a cadeia?
Me manda no direct do Instagram o que você montou e em quanto tempo. Se travou em algum passo, me diga qual: é assim que este playbook melhora.
Dante Araújo @dantearaujo